13.10.07

Dotados de cérebro.

Discutia com meu pai sobre as verdades da vida, sobre religião, sobre fé, sobre crenças, e sobre todas essas consequências que nos tiram a própria culpa da nossa existência.

Continuava a discutir com ele sobre amor, sobre o egoísmo do amor, sobre o egoísmo maior do amor de pai e mãe.

Discutia com uma amiga sobre os focos que a vida deve ter, sobre a perda do foco, ou sobre o vislumbro de todos os focos, quando se tem a perda completa de qualquer um deles.

Discutia com um grande amigo sobre a verdade da persistência da opinião, e até quanto é saudável abandonar a opinião, devido a um argumento.

Na verdade, todas essas discussões convergem sobre as verdades que regem nosso tempo.

É inevitável viver em um tempo e ao mesmo tempo ignorar as verdades que definem esse seu tempo. Ou mesmo, paralelamente, é mediocridade demais viver a ilusão da sua própria verdade, em busca de um caminho mais fácil de aceitar um realidade crua e nua: a sua verdadeira verdade.

Já dizia Schopenhauer que a vontade, sem dúvida, é a causa da razão. Não entrado no mérito da validade de sua metafísica, assumo que realmente, a razão tem lá sua queda por justificar a vontade, afinal, quem nunca disse: "ah vá vá, eu bem que mereço isso! afinal, eu já fiz isso, aquilo, E, aquele outro. EU MEREÇO!". Pois bem.

Já dizia Nietzsche, que se Deus viesse a terra, o maior dos milagres seria se ele sofresse o tanto que nos fez sofrer por nos roubar a responsabilidade da nossa própria miséria.

E já dizia Eu, claro, hehehe, que sem dúvida, não há como viver sem entender as próprias verdades do nosso tempo. E ao descobrir tais verdades, e se deparar com uma vida vivida baseada nas idéias de outras pessoas, se tem todo radicalismo que pode existir ao se deparar com tamanho abismo entre ser cego e ver um nascer do sol.

A leitura que tenho é simples e eficaz: você aceita e leva por verdade pra si aquilo que mais lhe convém, afinal, a vontade é simplesmente o motor dessa solução. Quem disse que é legal saber que a vida lhe traiu só por que você não foi bom o suficiente para domá-la?

E é essa mesma ausência do "despertar" que lhe dão situações do auto-questionamento do tipo: "onde foi que eu errei?!" "por que é que as coisas não dão certo pra mim?" "por que será que dá tudo certo pra mim?" "por que tudo que eu faço machuca os outros?" "aonde tudo isso vai parar?"

Dados que somos seres dotados de cérebos, e somos dotados da capacidade de termos passado e futuro (diferentemente dos animais irracionais que vivem num eterno presente), cabe a nossa capacidade inteligiva julgar o quanto somo ou não bons. Ou ainda mais, o quanto fazemos ou não de merda, com nós mesmos. Ou mais radical:

O quanto escolhemos nossa vida, ou o quanto vivemos uma vida de inércia.

Um abraço.

1 comentários:

Eduardo Otubo disse...

E é isso ai. Pra que serve o ser humano senão pra pensar? Pensemos! Pensemos!

Mas agora uma coisa eu digo: Pensar é uma coisa e refletir é outra. Não são coisas completamente díspares...

Abraço!
:-)