27.10.07

Carpe Diem

Em um dado momento você escolhe separar as coisas. Escolher ser homem à ser menino. Escolher assumir como vida justamente as consequências de seus atos.

Quando a crença de que a vida é curta, e não há tempo pra ser jogado fora chega (o famoso água na bunda), há de se decidir como levá-la.

Como tudo na vida, há sempre dois caminhos a se trilhar.

Antes de dissertá-los, é bom e cabível expor algumas verdade e considerações, para que entendam todo um contexto, para que no final, concordemos em que o tempo não pára.

O ser humano nasce sem um objetivo de vida. A própria natureza da raça coloca que não temos um objetivo, enquanto espécie.

O ser humano é egoísta, como essência.

Não nascemos para conviver em sociedade. Se tivessemos nascido, seria muito mais fácil o convívio com outras pessoas, e a inveja não seria o ponto culminante do egoísmo, em um relacionamento.

O ser humano não consegue existir se for isolado.

Creio que essas quatro verdades expõem os alicerces do homem enquanto espécie.

Há uma grande e profunda contradição quanto a isso. Como conceber "não conseguir existir isoladamente" e "não ter sido criado para viver em sociedade" ? São segredos intrinsecos ao egoísmo, em minha opinião.

Dada a contradição e as verdades, juntamente com o contexto, nascemos livres para escolher o quão sério queremos levar nossa vida.

Uma imposição contraditória natural é que, dado que somos livres, precisamos escolher o que fazer da nossa vida.

Ou descansamos (como antes da vida, e depois da vida), ou trabalhamos.

Para esta afirmação precisaremos considerar as seguintes posições:

Já que não conseguimos viver isoladamente, e não nascemos para viver em conjunto, precisamos criar um meio em que regras, classes, atributos, e hierarquia sejam estabelecidas e bem definidas, para que resolva-se essa contradição. Ou seja, só se resolve os conflitos de um amontoado de pessoas convivendo junto através de hierarquias. A isso, damos o nome de sociedade.

Há várias classes de sociedades, entre elas, a mais gritante. A capitalista.

A sociedade capitalista diz e nos obriga a ter um compromisso diante desta. Já que não temos um objetivo enquanto espécie, temos um objetivo enquanto componente da sociedade. Além disso o capitalismo tem como foco o giro do dinheiro, ou seja, o capital. Este capital só é movimentado graças ao poder da Vontade (com V maiúsculo) humana, que por consequência, é fruto do próprio egoísmo. Alias, tenho fortemente comigo de que egoísmo e capitalismo estabelecem uma relação simbiótica.

Este compromisso é apelidado de "trabalho", ou seja, o alimento pro próprio sistema ser sustentável. Nesse ponto entram questões como o imediatismo e a satisfação insana da felicidade.

Quero deixar claro nessa altura que podemos escolher entre trabalhar ou não.

Além disso, o capitalismo também estabelece a "motivação". A motivação do "sentir-se" útil e de botarmos nossa cabeça pra funcionar em busca da solução de problemas (nosso quebra-cabeça), move e estabelece tendências, tanto pra nossa vida, quanto pra quem olha nossa vida. (Não estou me referindo ao pobre ser "tecnocrático", mas sim, um trabalhador de modo geral)

Pelo foco ser o capital, e pela nossa carência de adestramento (é muito mais legal se divertir do que pensar, afinal, se divertir não requer esforço mental), e por consequência do nosso meio, fomos treinados a nos divertir à trabalhar. Ou seja, fomos condicionados a crer que nascemos para nos divertir, não para produzir algo em prol comum.

Neste ponto, em que temos consciência da necessidade do trabalho para manutenção de um meio, podemos decidir trabalhar de duas formas: ou trabalhos ativamente em busca de um bem comum, e de algo que aprimore a sociedade, ou seremos mão de obra pra desenvolver soluções de terceiros (que podem ou não ter sido criadas com esse discernimento).

Antes de assumir uma posição, quero deixar claro que não há mal algum na diversão, mas há mal em acreditar que é certo viver como todos vivem, agir como todos agem, gastar o seu tempo como todos gastam. Pelo menos eu acredito que nasci único, pra fazer coisas únicas, e alcançar objetivos ímpares. Se você não o acha, ou se acha que eu estou errado, o site do Uol (www.uol.com.br) ou da Folha (www.folha.com.br) te aguardam. Ou melhor, vai assistir Faustão ou Gugu.

Assumindo que é bom que trabalhemos em prol comum, visando a organização social e todo seu contexto, adicionamos à essa história, o contexto temporal.

Dada a verdade fundamental de que ontem sempre irá existir, amanhã só existirá amanhã e hoje só existe no hoje, e toda a profundidade que acerca esse contexto, pensa-se em como aplicar o seu presente que a partir de amanhã será seu passado, e como reconhecer o futuro que virá amanhã, projetado pelo seus atos do presente.

Não podemos esquecer da importância dessa concepção do tempo. Afinal, se você vive comos os animais irracionais (vivem num eterno presente), o site da Ana Maria Braga te aguarda.

E colocado todos esses pontos, chega-se o momento onde você decide: Se essa é a vida que eu escolhi, então eu a assumo, de maneira a não me arrepender pelas escolhas feitas, e muito menos, pelas oportunidades perdidas, afinal, o mundo me espera, de braços abertos.

E então afirme-se: já que farei, farei da melhor maneira possível, não para que os outros se orgulhem, mas que eu possa olhar pra que eu construí, e então possa dizer com um suspiro aliviante: sim, fui eu quem fiz, e aí está o meu melhor. Este é o meu fruto concebido através de muita elaboração, e trabalho.

Afirmando totalmente o determinismo condicional, assumo que não há outra maneira onde possa existir felicidade.

Há de se escolher sem o medo da perda do poder da escolha.

Há de se escolher ser homem e não ser moleque.

Há de se escolher levar a vida a sério. A vida não pára para que possamos decidir o que há de certo ou não.

Há apenas uma chance de concretizar o sonho. O sonho da vida escolhida.

E então as duas frases complementares que martelam minha cabeça:

Pra cada escolha, uma renúncia. Quanto à escolha ou à renúncia, não disseram que seria fácil. Só disseram que valeria a pena.

Carpe Diem.

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