14.8.07

Teoria do Adestramento.

Definindo adestramento como atos repetidos afim de formar uma base de consciência consolidade em torno de um conceito, ignorando as soluções que envolvam conhecimento sócio-político-cultural, defendo a opinião de que a maioria das pessoas são suscetíveis e propícias a serem adestradas.

A defesa da teses será circundada por esse conceito.

Comecemos pela religião.

A religião é, sem dúvida, o maior foco de qualquer forma de adestramento. Reza-se terço, pratica-se cultos periódicos, discutem-se idéias redundantes, afim de formar algo consciente buscando anular qualquer forma de questionamento profundo, que resulte numa conclusão lógica e racional. É lógico, não há uma solucão. O fato de não encontrá-la mostraria o quão paradoxal é qualquer uma das grandes bases em que qualquer crença se constitui.

Mas, dado que à beira do desespero as pessoas buscam ajuda com algo superior, por instinto, não assumirei uma postura radical. É bem verdade que o ser humano não consegue se enxergar num contexto onde não há algo maior que ele. Onde ele não esteja inserido. Está é a justificativa para a existencia de uma sociedade, uma religião, ou qualquer outra forma de comunidade.

Aprofundando rapidamente, afirmo que apesar do ser humano não ser criado para viver em comunidade, ele não consegue sobreviver sem estar inserido em uma. (se tivesse sido criado, não existiriam crimes, mortes, disque-disque, picuínhas, fofocas, ciúmes, egoísmo, e assim vai).

Passemos para os hábitos.

Hábitos são formas de se adestrar. A não busca pelo novo, pela mudança, pela novidade, e o pré-conceito de que algo novo não seja melhor do que o "que sempre funcionou antes", bate-se de frente com a grande contradição da humanindade. A busca pela estagnação.

Conceituando-se hábitos como soluções repetidas para problemas, então, revela-se uma situação da busca em fazer sempre da melhor forma a mesma coisa, e não mudar de coisa pra ver se é melhor.

Então busquemos a terceira parte: O cotidiano.

O Cotidiano é o maior erro que qualquer um pode cometer. O desespero da rotina é enorme. É sem dúvida, o maior dos adestramentos.

Quarto, a não busca pela verdade.

Basear-se em conceitos alheios, em histórias contadas, e em verdades que não são suas, é abominável. Porém, é amenizador, afinal, o questionamento do quanto de verdade cada um pode suportar, é na maioria das vezes, ignorado. O questionamento e a busca insaciável pela verdade suprema, seja ela qual for, é viver uma vida que escolhida por si próprio, e então, usufruir do gozo da lucidez.

O ser humano tem facilidades em ignorar a própria capacidade argumentativa e inteligiva, adotando qualquer conceito ou opinião alheia, e sobrescrevendo a si próprio, afinal, é o caminho mais fácil a seguir. Esta é a grande armadilha em se viver em sociedade. E é esta que deve ser tratada com maior cautela.

A lucidez é o maior degrau onde podemos chegar, e sem dúvida, esta teoria defende a busca desta, ignorando as facilidades do adestramento.

por Bruno Simioni, em 14 de agosto de 2007, às 20h50.

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